Quando você começa a tomar Wegovy, Ozempic ou Mounjaro, os resultados aparecem — o apetite cai e o peso também. Mas existe um detalhe que muitas pessoas não percebem de imediato: comer menos significa consumir menos vitaminas e minerais. Muitos pacientes, depois de alguns meses de tratamento, começam a sentir cansaço persistente, queda de cabelo ou dificuldade de concentração — e nem sempre associam esses sintomas a deficiências nutricionais.
A boa notícia é que essas deficiências podem ser identificadas e corrigidas. Neste artigo, você vai aprender quais nutrientes monitorar, quais exames solicitar e o que suplementar para se sentir bem durante o tratamento com GLP-1.
Por que o GLP-1 aumenta o risco de deficiências nutricionais?
Os medicamentos GLP-1 agem de várias formas que podem reduzir a ingestão de nutrientes. Primeiro, eles retardam o esvaziamento gástrico e reduzem significativamente o apetite — você simplesmente come menos. Segundo, especialmente no início do tratamento, surgem náuseas que levam muitas pessoas a evitar certos alimentos — muitas vezes justamente os mais nutritivos, como vegetais, carnes e laticínios. Terceiro, muitos pacientes relatam o desaparecimento do "ruído alimentar" — o pensamento obsessivo sobre comida. É um alívio enorme, mas pode fazer você esquecer de ter refeições completas e regulares.
O resultado: você come menos e nem sempre com melhor qualidade nutricional. Com o tempo, isso pode levar a deficiências importantes.
Quais nutrientes estão mais em risco?
Vitamina B12
A B12 é essencial para o sistema nervoso e para a produção de glóbulos vermelhos. Sua deficiência pode causar formigamento nas mãos e nos pés, fraqueza e problemas de memória. As principais fontes de B12 — carnes, peixes, ovos e laticínios — costumam ser consumidas em menores quantidades durante o tratamento com GLP-1.
Vitamina D e cálcio
A vitamina D auxilia na absorção do cálcio e é fundamental para a saúde dos ossos. A deficiência de vitamina D já é comum na população geral. Com a redução no consumo de peixes gordurosos, ovos e laticínios, o risco aumenta ainda mais. Sem vitamina D e cálcio suficientes, os ossos podem enfraquecer ao longo do tempo.
Ferro
O ferro é necessário para transportar oxigênio pelo sangue. Sua deficiência leva à anemia, que se manifesta como fadiga, palidez e falta de ar. Mulheres com menstruação regular são as mais vulneráveis a esse tipo de deficiência.
Zinco
O zinco desempenha papel fundamental no sistema imunológico, na cicatrização de feridas e na produção de hormônios. Sua deficiência pode causar queda de cabelo, infecções mais frequentes e cicatrização mais lenta.
Folato (vitamina B9)
O folato é essencial para a divisão celular e a produção de DNA. Ele é especialmente importante para mulheres que planejam engravidar — a deficiência de folato está associada a maior risco de defeitos do tubo neural no bebê. Leia mais sobre os efeitos do GLP-1 na fertilidade no nosso artigo sobre GLP-1 e fertilidade.
Magnésio
O magnésio participa de mais de 300 reações enzimáticas no organismo. Sua deficiência pode causar cãibras musculares, distúrbios do sono, dores de cabeça e irritabilidade — sintomas facilmente confundidos com outras condições.
Como saber se você tem deficiência?
Os sintomas de deficiências nutricionais costumam ser inespecíficos — cansaço e queda de cabelo se encaixam em dezenas de condições diferentes. A única forma confiável de identificar o problema é através de exames de sangue. Peça ao seu médico:
- Vitamina B12 — dosagem sérica
- Folato — dosagem sérica
- Vitamina D — 25(OH)D
- Ferritina — indicador das reservas de ferro no organismo
- Hemograma completo — avaliação geral da saúde do sangue
O ideal é fazer esses exames antes de iniciar o tratamento, para ter uma linha de base para comparação. Depois, repita a cada 6 a 12 meses, ou antes se surgirem sintomas preocupantes.
O que suplementar durante o tratamento com GLP-1?
Sempre discuta a suplementação com seu médico ou farmacêutico antes de começar. As recomendações gerais são as seguintes:
- Multivitamínico — um bom multivitamínico funciona como um seguro. Não substitui uma alimentação variada, mas pode preencher as lacunas quando você está comendo menos.
- Vitamina B12 — a ingestão diária recomendada é de 2,4 µg. Pessoas mais velhas ou que usam metformina podem precisar de doses maiores.
- Vitamina D — 10 a 25 µg (400 a 1000 UI) por dia, especialmente nos meses de outono e inverno.
- Cálcio — se o consumo de laticínios for baixo, considere suplementar com 500 a 1000 mg por dia.
- Ferro — suplemente SOMENTE se os exames confirmarem deficiência. O excesso de ferro pode ser prejudicial à saúde.
Dicas práticas de alimentação
Os suplementos são apenas um complemento — a base é a alimentação. Algumas dicas para o dia a dia:
- Escolha alimentos ricos em nutrientes — ovos, salmão, espinafre, nozes, feijão e lentilha fornecem muitas vitaminas e minerais em pequenas porções.
- Priorize a proteína — mire em pelo menos 1,2 a 1,6 g por quilograma de peso corporal por dia. A proteína protege os músculos e aumenta a saciedade.
- Não pule todas as refeições — comer menos vezes está ótimo, mas cada refeição deve ser nutritiva. Troque calorias vazias por alimentos de verdade.
- Inclua fermentados — iogurte e kefir apoiam a saúde intestinal e podem melhorar a absorção de nutrientes.
Quando falar com seu médico?
Se você sentir cansaço extremo, cãibras musculares, queda intensa de cabelo ou formigamento nos membros — não ignore esses sinais. Informe ao seu médico. Muitos desses sintomas respondem bem ao tratamento quando a causa é identificada.
Manter contato regular com seu médico durante o tratamento com GLP-1 — incluindo exames periódicos de sangue — é a melhor proteção contra deficiências nutricionais sérias.
Aviso médico
Este artigo tem caráter exclusivamente informativo e não substitui o aconselhamento médico ou farmacêutico individualizado. Cada pessoa é diferente — o plano de suplementação adequado deve ser definido pelo seu médico com base no seu histórico de saúde e nos resultados dos seus exames. Não faça alterações na suplementação ou na dieta sem consultar um profissional de saúde.