Muitas pessoas que começam a usar Wegovy, Ozempic ou Mounjaro ficam satisfeitas com a perda de peso — mas vão percebendo aos poucos que a pele não acompanha o ritmo. O rosto pode parecer mais encovado, a pele dos braços e da barriga pode ficar flácida, e algumas pessoas se sentem mais envelhecidas do que esperavam. Essas mudanças foram apelidadas de "rosto Ozempic" nas redes sociais e são amplamente discutidas tanto por pacientes quanto por profissionais de saúde.
Mas o que está realmente acontecendo — e o que você pode fazer a respeito? Veja aqui uma visão completa sobre o assunto.
O que é o "rosto Ozempic"?
"Rosto Ozempic" é um termo popular para as mudanças faciais que algumas pessoas experimentam durante a perda de peso com medicamentos GLP-1. Geralmente se refere a:
- Bochechas encovadas e têmporas ocas
- Rugas e sulcos mais pronunciados
- Perda de firmeza e volume no rosto
- Um aspecto geral mais "magro" ou envelhecido
É importante ressaltar que isso não é um efeito colateral direto do semaglutide ou do tirzepatide em si. De acordo com uma revisão sistemática publicada no Aesthetic Surgery Journal (2025), o fenômeno é principalmente resultado da perda de peso rápida — e pode ocorrer com qualquer forma de emagrecimento acelerado, independentemente do método utilizado.
Como os medicamentos GLP-1 podem promover uma perda de peso relativamente rápida e significativa, esse efeito é mais frequente do que com uma restrição calórica gradual, por exemplo.
O que acontece com a pele durante a perda de peso?
Vários processos ocorrem na pele e abaixo dela durante o emagrecimento:
As camadas de gordura desaparecem
A gordura não serve apenas para ser eliminada — ela também funciona como um "preenchimento" sob a pele. Quando essa gordura desaparece rapidamente, a pele perde seu suporte interno e pode ficar flácida. No rosto, os pacientes perderam em média 7% do volume médio-facial a cada 10 kg de peso perdido, segundo um estudo radiológico de 2025 (PubMed: 40407186).
O colágeno e a elastina são afetados
O colágeno e a elastina são as proteínas que conferem firmeza e elasticidade à pele. Pesquisa publicada em PMC12370548 (NIH, 2025) mostra que a perda de peso rápida pode reduzir a densidade dessas fibras na pele. Além disso, os receptores GLP-1 nas células-tronco derivadas do tecido adiposo (ADSC) podem ser ativados, afetando potencialmente a capacidade dessas células de produzir citocinas protetoras e colágeno.
Em termos simples: a pele pode perder parte da sua "elasticidade".
A massa muscular pode diminuir
Os músculos fornecem volume sob a pele e contribuem para uma aparência mais "preenchida". Estudos mostram que até 25–40% do peso perdido com medicamentos GLP-1 pode vir da massa muscular — especialmente se você não praticar musculação ativamente. A perda de massa muscular pode tornar a flacidez ainda mais evidente.
Todo mundo corre o mesmo risco?
Não. Vários fatores influenciam o quanto a pele é afetada:
- Idade: A pele mais velha tem naturalmente menos fibras de colágeno e se adapta mais lentamente
- Velocidade da perda de peso: Quanto mais rápida a perda de peso, menos tempo a pele tem para se adaptar
- Quantidade de peso perdido: Uma perda de peso total maior aumenta o risco de flacidez
- Genética: O tipo de pele e fatores hereditários desempenham um papel importante
- Danos solares e tabagismo: Ambos destroem o colágeno e pioram os resultados
O que você pode fazer?
A boa notícia é que você não está de mãos atadas. Veja as medidas com mais respaldo científico:
1. Consuma proteína suficiente
A proteína é o bloco de construção tanto dos músculos quanto do colágeno. Ao usar medicamentos GLP-1 e comer menos, é fácil não consumir proteína suficiente. Procure ingerir pelo menos 1,2–1,6 gramas de proteína por quilograma de peso corporal por dia. Priorize alimentos ricos em proteína, como ovos, frango, peixe, leguminosas e iogurte grego. Distribua a ingestão de proteína ao longo das refeições em vez de consumir tudo de uma vez.
2. Faça musculação regularmente
A musculação é provavelmente a intervenção mais eficaz contra a flacidez da pele. Ela preserva e desenvolve a massa muscular, que preenche a pele de dentro para fora. Mesmo 2–3 sessões por semana fazem uma diferença perceptível. Não é preciso levantar pesos pesados — exercícios com o peso do próprio corpo, como agachamentos, afundos e flexões, são um ótimo ponto de partida.
3. Mantenha-se hidratado
A água é essencial para o funcionamento das células da pele e para a integridade da barreira cutânea. A pele desidratada parece mais flácida e com mais rugas. Beba bastante água — cerca de 1,5–2 litros por dia — e lembre-se de que a necessidade de líquidos aumenta com a atividade física e o calor.
4. Proteja a pele do sol
Os raios UV são um dos maiores destruidores conhecidos de colágeno e elastina. Use protetor solar de amplo espectro com FPS 30 ou superior todos os dias, mesmo em dias nublados. Esse hábito simples tem um grande efeito a longo prazo sobre a qualidade da pele.
5. Evite fumar
O tabagismo acelera a degradação do colágeno e prejudica significativamente o fluxo sanguíneo para a pele. Estudos mostram que fumantes apresentam pele visivelmente mais flácida e enrugada para a mesma quantidade de peso perdido, em comparação com não fumantes. Se você fuma e usa medicamentos GLP-1, parar de fumar é a medida isolada de maior impacto positivo sobre a sua pele.
6. Produtos para a pele — o que funciona?
Alguns ingredientes têm efeitos documentados sobre a produção de colágeno:
- Retinoides (vitamina A): Estimulam a renovação celular da pele e a produção de colágeno. Comece com uma concentração mais suave e use à noite.
- Vitamina C (ácido ascórbico): Antioxidante que apoia a síntese de colágeno. Melhor utilizada pela manhã.
- Peptídeos: Moléculas sinalizadoras que incentivam a pele a produzir mais colágeno e elastina.
- Ácido hialurônico: Atrai umidade para a pele e confere uma aparência mais volumosa.
Lembre-se de que produtos tópicos não substituem as mudanças fundamentais no estilo de vida — eles são um complemento, não uma solução alternativa.
Quando procurar ajuda profissional?
Se você perdeu peso rapidamente e não está satisfeito com o estado da sua pele, pode valer a pena:
- Consultar um dermatologista sobre o seu tipo de pele e os tratamentos adequados
- Considerar tratamentos não cirúrgicos, como radiofrequência, ultrassom (Ultherapy) ou microagulhamento, que podem estimular a produção de colágeno
- Em casos graves com pele muito flácida (por exemplo, após perda de 40+ kg), é possível discutir o lifting cirúrgico com um cirurgião plástico
Um estudo de 2025 (PMC12549488) observa que cirurgiões plásticos relatam um aumento de até 50% nos procedimentos faciais relacionados à perda de peso induzida por GLP-1 — um sinal de que a demanda por tratamentos cresce junto com o uso dos medicamentos.
Uma palavra sobre o ritmo
Embora os medicamentos GLP-1 possam produzir resultados impressionantes rapidamente, vale a pena conversar com o seu médico sobre fazer uma titulação lenta e não apressar a perda de peso mais do que o necessário. Uma perda de peso mais gradual e estável dá à pele mais tempo para se adaptar e reduz o risco de flacidez acentuada.
Conclusão
As alterações na pele são uma parte real e comum do processo de emagrecimento com medicamentos GLP-1 — e pode ser frustrante perder peso e ainda não ter a aparência que se esperava. Mas é importante lembrar que a pele é um tecido dinâmico que se adapta com o tempo. Com musculação, proteína adequada, uma boa rotina de cuidados com a pele e paciência, a maioria das pessoas consegue melhorias significativas. E para quem ainda não está satisfeito, existem opções clínicas eficazes.
Converse sempre com o seu médico se tiver dúvidas sobre alterações na pele durante o tratamento.
Fontes
- GLP-1RA e o possível envelhecimento da pele — NIH/PMC (2025)
- Um Olhar Mais Atento ao Perfil Dermatológico dos Agonistas GLP-1 — PMC (2025)
- "Rosto Ozempic" na Cirurgia Plástica: Uma Revisão Sistemática — PMC (2025)
- Surgimento do "rosto ozempic" — PMC (2025)
- Alterações Radiográficas no Volume Médio-Facial em Pacientes em Uso de Agonistas GLP-1 — PubMed (2025)
- Avaliação de Benefício-Risco dos Agonistas do Receptor GLP-1: Implicações para Dermatologistas e Cirurgiões Plásticos — PMC (2025)