Muitas pessoas que começam a usar Wegovy, Ozempic ou Mounjaro ficam felizes com a perda de peso — mas nem sempre percebem que, junto com a gordura, também podem estar perdendo massa muscular. Pesquisas indicam que até 25–40% do peso perdido com medicamentos GLP-1 pode vir dos músculos, e não apenas da gordura. Uma ingestão adequada de proteínas é fundamental para evitar esse problema.
Neste artigo, explicamos por que a proteína é tão importante durante o tratamento com GLP-1, quanto você precisa consumir e como incluir proteínas na dieta mesmo quando o apetite está reduzido.
Por que a proteína é tão importante com GLP-1?
A proteína é o principal componente dos músculos, ossos, pele e do sistema imunológico. Durante a perda de peso, ela desempenha funções essenciais:
- Preserva a massa muscular: Uma ingestão adequada sinaliza ao organismo que deve queimar gordura, não músculo
- Aumenta a saciedade: A proteína é o macronutriente que mais sacia, ajudando a controlar a fome
- Apoia a recuperação: Os músculos precisam de proteína para se reparar e crescer, especialmente se você pratica exercícios
- Mantém a densidade óssea: A perda de peso rápida pode afetar os ossos; proteína adequada ajuda a protegê-los
Os medicamentos GLP-1 retardam o esvaziamento gástrico e reduzem muito a fome, levando a refeições menores — inclusive com menos proteína. Idosos e mulheres são especialmente vulneráveis à perda muscular durante o tratamento com semaglutida.
Quanto de proteína você precisa?
Uma revisão publicada em 2025 (PMC12913018) recomenda que pessoas em uso de medicamentos GLP-1 durante a fase ativa de perda de peso consumam 1,2–1,6 g de proteína por quilograma de peso corporal por dia.
Por exemplo: se você pesa 80 kg, sua meta diária é de 96–128 g de proteína. Isso é consideravelmente mais do que a recomendação padrão para adultos sedentários (cerca de 0,8 g/kg/dia).
- Pessoas acima de 60 anos devem buscar o limite superior do intervalo (1,6 g/kg)
- Se você tem doença renal crônica, consulte seu médico antes de aumentar a ingestão de proteínas
- Distribua a ingestão ao longo do dia em 3–4 refeições, em vez de concentrá-la em uma só
Melhores fontes de proteína
Escolha alimentos ricos em proteína que sejam fáceis de consumir mesmo com apetite reduzido:
- Ovos: cerca de 6 g de proteína por unidade — fáceis de preparar e bem tolerados
- Frango ou peru: aproximadamente 25–30 g de proteína por 100 g — magros e ricos em proteína
- Peixes (salmão, atum, bacalhau): ricos em proteína e em ômega-3
- Iogurte grego: cerca de 10 g de proteína por 100 g — ótimo no café da manhã ou como lanche
- Queijo cottage: baixo em gordura e alto em proteína
- Leguminosas (lentilha, grão-de-bico, soja): excelentes fontes de proteína vegetal e fibras
- Tofu e edamame: boas opções para vegetarianos e veganos
Como atingir sua meta de proteína com pouco apetite?
O apetite reduzido é um dos principais efeitos dos medicamentos GLP-1 — e pode dificultar atingir a quantidade recomendada de proteína. Veja algumas dicas práticas:
Comece cada refeição pela proteína
Este é o conselho mais importante e prático. Quando você come pouco, precisa garantir que o que come seja nutritivo. Comece pela porção de carne, peixe, ovos ou leguminosas — antes dos carboidratos e vegetais.
Distribua a ingestão ao longo do dia
O organismo consegue utilizar com mais eficiência cerca de 25–40 g de proteína por refeição. Em vez de consumir tudo de uma vez, distribua em 3–4 refeições menores ao longo do dia. Isso também pode ajudar a reduzir o desconforto gástrico causado pelos medicamentos GLP-1.
Shakes de proteína como complemento
Quando o alimento sólido é difícil de consumir, um shake de proteína (de soro de leite ou vegetal) pode ajudar a atingir a meta diária. Escolha produtos com baixo teor de açúcar.
Tenha lanchinhos proteicos sempre à mão
Ovos cozidos, queijo, edamame, nozes ou iogurte grego são lanches simples e práticos que você pode comer nos momentos em que o apetite aparecer.
Sinais de que você está consumindo proteína de menos
Fique atento a esses sintomas, que podem indicar ingestão insuficiente de proteína:
- Fraqueza muscular e cansaço excessivo
- Cicatrização lenta de feridas
- Queda de cabelo ou unhas quebradiças
- Inchaço (edema)
- Infecções frequentes
Se notar esses sintomas, converse com seu médico ou nutricionista.
Proteína funciona melhor combinada com exercício
Apenas aumentar a ingestão de proteína não é suficiente — é preciso combinar com treinamento de força (musculação ou exercícios resistidos). Mesmo 2–3 sessões semanais de exercícios com o peso do próprio corpo (agachamentos, flexões, afundos) já fazem uma diferença significativa.
A combinação de proteína adequada com exercícios de força é a estratégia mais eficaz para preservar a massa muscular durante o tratamento com GLP-1.
Quando consultar um profissional de saúde?
Procure um médico ou nutricionista se:
- Você tem doença renal crônica (pode haver restrições de proteína)
- Está com dificuldade de atingir a meta proteica somente com a alimentação
- Está perdendo peso muito rapidamente e preocupado com a perda muscular
- Deseja orientações personalizadas sobre alimentação durante o tratamento
Conclusão
Os medicamentos GLP-1 são ferramentas poderosas para o emagrecimento, mas o apetite reduzido facilita a deficiência de proteína. Ao buscar consumir 1,2–1,6 g de proteína por quilograma de peso corporal por dia, priorizando proteína no início de cada refeição e combinando com treino de força, você pode perder peso de forma saudável — queimando gordura, não músculo.
Em caso de dúvidas sobre sua alimentação durante o tratamento, sempre consulte seu médico ou nutricionista.