Os medicamentos GLP-1, como Wegovy, Ozempic e Mounjaro, têm atraído uma atenção enorme — e com essa atenção surgiu uma vaga de mitos. Há quem seja cético, outros têm expectativas irrealistas. Neste artigo, analisamos sete dos equívocos mais comuns e confrontamo-los com o que a pesquisa realmente demonstra.

Mito 1: "É batota — a saída fácil"

Uma das reações mais frequentes é considerar que os medicamentos para emagrecer são "a solução preguiçosa." Isto reflete uma crença desatualizada de que a obesidade é uma questão puramente de força de vontade.

A investigação demonstra que a obesidade é uma doença crónica com causas genéticas, hormonais e neurológicas. Os agonistas dos recetores GLP-1 atuam biologicamente: imitam uma hormona intestinal natural (GLP-1) que regula os sinais de fome e os níveis de glicemia no cérebro. Em muitas pessoas com obesidade severa, o organismo não produz sinais de saciedade suficientes — o medicamento ajuda a restabelecer esse equilíbrio.

O tratamento continua a exigir mudanças no estilo de vida. Os grandes ensaios clínicos — incluindo o STEP 1 com semaglutide e o SURMOUNT-1 com tirzepatide — combinaram o medicamento com aconselhamento dietético e exercício físico. O medicamento é uma ferramenta, não um substituto para o empenho pessoal.

Mito 2: "Só se perde água"

Não é verdade. A perda de peso com medicamentos GLP-1 deve-se principalmente à perda de gordura. No ensaio STEP 1, os participantes que tomaram 2,4 mg de semaglutide semanalmente perderam em média 14,9% do seu peso corporal ao longo de 68 semanas — em comparação com 2,4% no grupo placebo. Os estudos de composição corporal mostram que a maior parte da perda provém do tecido adiposo, e não de água ou músculo (desde que haja uma ingestão adequada de proteínas e prática de exercício).

Mito 3: "Este medicamento é apenas para diabéticos"

O Ozempic (semaglutide 1 mg) está aprovado para a diabetes tipo 2, mas o Wegovy (semaglutide 2,4 mg) está especificamente aprovado para o tratamento da obesidade em adultos sem diabetes — pela EMA na Europa e pela FDA nos Estados Unidos. O Mounjaro/Zepbound (tirzepatide) está aprovado para ambas as indicações.

Os critérios de elegibilidade habituais para o Wegovy são um IMC ≥ 30, ou ≥ 27 com pelo menos uma condição associada ao peso, como hipertensão arterial ou apneia do sono. A diabetes não é um requisito.

Mito 4: "Os medicamentos GLP-1 são perigosos — são experimentais"

O semaglutide está em uso clínico desde 2017 (como Ozempic) e é atualmente um dos medicamentos mais amplamente estudados da história recente. O Wegovy tem aprovação da FDA desde 2021 e da EMA desde 2022. Não é experimental.

Como todos os medicamentos, tem efeitos secundários — os mais comuns são náuseas, vómitos e diarreia, sobretudo no início do tratamento. Estes são geralmente ligeiros a moderados e tendem a diminuir com o tempo. Efeitos secundários graves (pancreatite, problemas na vesícula biliar) podem ocorrer, mas são raros. O seu médico avalia os riscos e benefícios para a sua situação individual.

Mito 5: "Fica-se viciado no medicamento"

Os medicamentos GLP-1 não criam dependência química. Não existe efeito euforizante nem síndrome de abstinência clássica. O que muitas pessoas notam ao parar é o regresso da fome e dos desejos alimentares — isso é biologia, não vício.

A obesidade, como muitas doenças crónicas, requer frequentemente tratamento contínuo. Assim como não diríamos que uma pessoa com hipertensão é "viciada" no seu medicamento para a tensão, também não é adequado usar essa palavra para o tratamento com GLP-1.

Mito 6: "O peso volta sempre — não tem sentido"

Isso é parcialmente verdade, mas o contexto importa. Os estudos mostram que muitas pessoas recuperam uma parte significativa do peso perdido no prazo de um a dois anos após interromper o medicamento. Mas isso acontece porque o organismo tem um mecanismo biológico de "ponto de equilíbrio" que tenta regressar ao estado inicial — não porque o medicamento falhou.

Para muitos doentes, a solução é um tratamento a longo prazo, tal como a hipertensão ou o colesterol elevado são geridos de forma continuada. Além disso, mesmo uma perda de peso temporária de 10 a 15% está associada a benefícios significativos para a saúde: menor tensão arterial, melhor controlo da glicemia e redução do risco de doença cardiovascular.

Mito 7: "Não é preciso mudar a alimentação enquanto se toma o medicamento"

O medicamento reduz significativamente o apetite, mas não elimina a necessidade de uma alimentação saudável. Se a dieta consistir principalmente em alimentos ultraprocessados com baixo valor nutricional, corre-se o risco de carências de proteínas, vitaminas e minerais — especialmente porque se come muito menos do que antes.

Todos os grandes ensaios clínicos incluíram aconselhamento dietético como parte do protocolo. Recomenda-se privilegiar alimentos ricos em proteínas (frango, ovos, leguminosas, peixe), vegetais e cereais integrais, e limitar o açúcar e os alimentos processados. Não é impossível perder peso sem mudar os hábitos, mas os resultados são muito melhores com um plano alimentar saudável.

O que diz a investigação?

Os resultados mais expressivos provêm de:

O medicamento funciona — mas não é um milagre. Funciona melhor como parte de uma abordagem abrangente à gestão do peso.

Quando deve falar com o seu médico?

Se está a considerar o tratamento com GLP-1, consulte sempre um médico primeiro. Ele pode avaliar se o medicamento é adequado para si, analisar os seus fatores de risco e ajudar a definir objetivos realistas. Não utilize estes medicamentos sem receita médica nem baseando-se exclusivamente em informações obtidas online.

Fontes