O que é a SOP?

A síndrome dos ovários policísticos — SOP — é o distúrbio hormonal mais comum em mulheres em idade reprodutiva, afetando aproximadamente 8–13% de todas as mulheres. É uma das principais causas de redução da fertilidade. Apesar do nome, a SOP não se limita aos ovários — é uma condição metabólica complexa que afeta o organismo como um todo.

Os três pilares da SOP são:

Para muitas mulheres com SOP, o mecanismo subjacente é a resistência à insulina — as células do organismo não respondem normalmente à insulina. Isso leva o corpo a produzir mais insulina, que por sua vez estimula os ovários a produzir excesso de andrógenos. É exatamente aqui que os medicamentos GLP-1 se tornam relevantes.

O que é o GLP-1 — e o que ele faz?

O GLP-1 (peptídeo semelhante ao glucagon-1) é um hormônio intestinal natural liberado após as refeições. Ele sinaliza ao pâncreas para produzir insulina, reduz o apetite e atenua os picos de açúcar no sangue após as refeições. Medicamentos como semaglutide (Wegovy, Ozempic) e tirzepatide (Mounjaro) imitam e amplificam esse sinal hormonal.

Isso torna os medicamentos GLP-1 relevantes para a SOP por duas razões: eles reduzem diretamente os níveis de insulina e promovem a perda de peso — e a própria perda de peso melhora a sensibilidade à insulina. É como atacar a SOP em duas frentes ao mesmo tempo.

O que dizem as pesquisas?

A pesquisa sobre medicamentos GLP-1 e SOP ainda é relativamente recente, mas os resultados são promissores. Um estudo clínico de 2023 publicado no Journal of Clinical Medicine tratou mulheres obesas com SOP que não responderam adequadamente às mudanças no estilo de vida com semaglutide 0,5 mg semanalmente. Após 6 meses:

Um ensaio clínico randomizado e controlado de 2025 comparou metformina isolada com a combinação de metformina e semaglutide em mulheres com sobrepeso/obesidade e SOP. O grupo que recebeu a combinação alcançou perda de peso significativamente maior, melhora na sensibilidade à insulina, redução dos marcadores inflamatórios, normalização menstrual — e taxas mais altas de gravidez espontânea.

Uma revisão de 2024 concluiu que as três classes de miméticos de incretina — agonistas de GLP-1, agonistas duplos (GLP-1/GIP) e agonistas triplos — mostraram melhorias significativas na perda de peso e na sensibilidade à insulina em comparação com o tratamento tradicional da SOP.

O que acontece com os hormônios?

Um dos efeitos mais interessantes é a redução nos níveis de andrógenos. À medida que os níveis de insulina caem, os ovários produzem menos hormônios sexuais masculinos. Isso pode significar:

É importante ressaltar que o efeito não é o mesmo para todas. As mulheres com SOP predominantemente de resistência à insulina tendem a se beneficiar mais, enquanto o efeito pode ser mais limitado em mulheres com o fenótipo de SOP magra.

E quanto à fertilidade?

A SOP é uma das causas mais comuns de infertilidade, pois a ovulação irregular dificulta a concepção. A melhora na sensibilidade à insulina e a normalização do ciclo menstrual podem por si só aumentar as chances de gravidez.

No entanto, há uma regra de segurança importante: semaglutide não é recomendado durante a gravidez. O fabricante Novo Nordisk aconselha interromper o semaglutide pelo menos 2 meses (8 semanas) antes de tentar engravidar. Para tirzepatide (Mounjaro), a recomendação é de pelo menos 1 mês (4 semanas) antes de tentar. Estudos em animais mostraram risco de malformações fetais quando utilizado durante a gravidez.

Se você estiver usando medicamento GLP-1 e planejando uma gravidez, é fundamental discutir isso com o seu médico com bastante antecedência. O tratamento com metformina ou indução da ovulação pode ser mais adequado quando a gravidez é o objetivo imediato.

O medicamento GLP-1 é aprovado para a SOP?

Nem semaglutide nem tirzepatide são oficialmente aprovados para o tratamento da SOP na UE, no Reino Unido ou nos EUA. Eles são aprovados para diabetes tipo 2 (Ozempic, Mounjaro) e obesidade (Wegovy). O uso para SOP é, portanto, off-label — fora das indicações aprovadas.

No entanto, muitos endocrinologistas e ginecologistas têm começado a oferecer esses medicamentos a mulheres com SOP e resistência grave à insulina ou obesidade, uma vez que as evidências são promissoras. O tratamento tradicional da SOP com metformina e pílula anticoncepcional nem sempre aborda adequadamente a resistência à insulina subjacente.

Considerações práticas

Se você está considerando o medicamento GLP-1 como parte do tratamento da SOP, aqui estão os pontos principais a discutir com o seu médico:

O que esperar

Com base nos estudos disponíveis, veja o que é realista esperar do tratamento com semaglutide para a SOP:

Conclusão

Os medicamentos GLP-1 não curam a SOP, mas representam uma opção de tratamento promissora para mulheres com SOP de resistência à insulina e excesso de peso. O efeito duplo — melhora direta da sensibilidade à insulina e perda de peso — atua precisamente sobre os fatores centrais de muitos sintomas da SOP. As pesquisas sugerem que até 8 em cada 10 mulheres com obesidade e SOP podem normalizar o ciclo menstrual com semaglutide.

Fale sempre com o seu médico ou ginecologista antes de iniciar o tratamento com GLP-1 para SOP — e planeje com cuidado se a gravidez for um objetivo.

Fontes